O laço comprido, também conhecido como tiro de laço no Rio Grande do Sul, é uma das modalidades mais tradicionais da cultura gaúcha. Ele representa a habilidade campeira, a sintonia entre cavalo e laçador e a essência da lida no campo. Hoje, presente em grandes rodeios como o de Vacaria, essa prática esportiva tem raízes profundas na pecuária rio-grandense. Sua origem como competição organizada remonta à década de 1950, quando desafios informais entre peões evoluíram para torneios estruturados.

Das Lidas Campeiras à Competição
O laço sempre foi ferramenta essencial na vida do gaúcho. Nas vastas estâncias do Rio Grande do Sul, onde o gado corria solto em campos sem cercas, o peão precisava capturar animais para vacinação, marcação ou tratamento. O laço de couro trançado, com cerca de 18 a 20 metros de comprimento (12 braças), permitia arremessos precisos à distância, mirando os chifres (aspas ou guampas) do bovino.
Essa necessidade prática transformou-se em demonstração de habilidade. Peões desafiavam uns aos outros em provas informais, testando quem era mais preciso e rápido. Na década de 1950, esses desafios ganharam formato competitivo.
Registros históricos apontam que o primeiro torneio organizado de laço ocorreu no município de Esmeralda, então distrito de Vacaria, no Rio Grande do Sul. Ali, pela primeira vez, a prova foi estruturada com regras claras: uma cancha (pista) demarcada, bretes de saída e chegada, e juízes para avaliar as armadas. Esse evento marcou o nascimento do laço comprido como esporte, dando origem aos rodeios campeiros que conhecemos hoje.
A Expansão e o Rodeio de Vacaria
A partir de Esmeralda, a modalidade se espalhou rapidamente pelo estado. Em 1958, Vacaria sediou o primeiro Rodeio Crioulo, organizado pelo CTG Porteira do Rio Grande. Inicialmente municipal, com provas de laço e rédeas, o evento cresceu e tornou-se internacional, consolidando Vacaria como capital dos rodeios crioulos.
Com a migração de gaúchos para outros estados em busca de novas terras, o laço comprido levou sua tradição para Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Lá, adaptou-se, mas manteve as raízes gaúchas: precisão nos chifres, sintonia com o cavalo crioulos e respeito às tradições campeiras.
Um Legado Vivo
Mais de 70 anos após aquele primeiro torneio em Esmeralda, o laço comprido permanece vivo. Ele envolve famílias inteiras — de piás e prendinhas a veteranos e vaqueanos —, preserva a cultura gaúcha e atrai milhares de espectadores em rodeios pelo Brasil. É mais que um esporte: é a celebração da coragem, da precisão e do vínculo entre o homem do campo e sua terra.
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Fontes: Registros históricos de entidades como MTG, ABCCC e relatos tradicionais da cultura campeira gaúcha.